sexta-feira, 17 de maio de 2013

um desenho por semana por um mundo mais bacana LXXIX

Monet e os indianos
O de cima eram pessoas. O de baixo era o quadro.


"Femme à l'ombrelle tournée vers la gauche" (Claude Monet - 1886)

terça-feira, 14 de maio de 2013

O quereres e o não


- Voltamos e a gente tá aqui com o querido dos artistas não-queridos Wagner DuBoné. Cara, prazer demais ter você aqui.

 - O prazer é meu porque eu queria estar aqui, sério.

 - Pô, que massa! Lindo ouvir isso, véio. Vamos começar então. Essa coisa de ser não-querido...

 - Aliás eu queria falar sobre essa coisa de não querer, de ser querido e tal. A verdade é que querer é uma coisa superetimada e subestimada ao mesmo tempo. E quando uma coisa é levada aos dois extremos ela ou se rompe ou fica mole, morna, saca? Respeita-se até o fim o querer de cada um, mas aí tem os compromissos e aí se desrespeita... como explico isso pro meu filho de 5 anos?

 - Sei...

 - Exemplo: eu queria estar aqui, mas eu não tava a fim de cantar hoje. Eu tô afim de falar sobre isso. Mas eu tô aí com o violão, os menisnos vierma comigo, vocês regularam o som, tem toda a preparação do cara que tá lá na mesa e chegou aqui 3 horas antes, o nego que puxou os cabos e tals. Mas eu não quero cantar, porque a maioria não tá nem aí pro que eu falo nas letras, então eu quero é dizer no oral, discursado mesmo.  

- Mas Wagner, o program é seu, meu velho. Aqui você é livre e manda o que quiser, falar cantar, se quiser operar a câmera, ou apresentar fique à vontade.

- Eu sei. E é exatamente por isso que eu vou tocar. Eu sei que me chamaram pra isso. Uma vez me falaram que essa coisa de querer, mas não fazer, chamava-se, crescer, ou responsabilidade, ou ainda bom senso. Sei...isso é resposta pra quem não sabe o que quer fazer ou tá na adolescência mental. Responsabilidade é desculpa de quem não tem opinião, ou não acredita nela. A escolha de fazer o que não se quer pelo outro, deve ser respeito, não responsabilidade. A desculpa da responsabilidade já transformou artistas em homens deploráveis, pais e mães de família em workaholics infelizes que deixam os seus filhos mais infelizes ainda. Vou tocar por respeito a esses cabras que tão aqui ralando, a quem parou o que ta fazendo pra ver e a você que me recebeu aqui e tá me ouvindo dizer esse monte de, de, de...verdades! E não são “minhas” verdades, que é outro exemplo claro de falta de opinião. “Sua verdade”, “minha verdade” é a exacerbação do “lavo as minhas mãos do que eu acabei de dizer”... vai ser cagão assim lá no show da Xuxa...Ah, e chega que eu vou cantar.

 - Sensacional. Então vamos de música. Manda ver Du Boné. Não, perâe, acabou o tempo? Tem que vir comercial...mas no próximo bloco tem Duboné pra quem quer e quem não quer, ou sei lá...eu sei que eu quero. E você DuBoné?

- Contaê batera!1,2,3,4...

terça-feira, 7 de maio de 2013

Por uma vida sem filtro - Uma crônica contada

Capítulo um - Cyn e o Instagram

Cyn nunca gostou do Instagram. Ela não gosta dos filtros. Cyn prefere a foto assim, in natura. Que decepcionante mostrar as fotos tratadas para a Cyn. Que chato carregar no HDR  + Willow ou Inkwell e ela nem ligar. Que chato.  


Capítulo dois - JM e os óculos de sol
JM não era fotógrafo, nem mesmo amador. Era apenas um publicitário que gostava de desenhar , ou um desenhador que trabalha como publicitário e tentava ter um certo olhar próprio para as coisas, uma visão artístico-filosófico-pop-poética de tudo. Não tinha uma DSLR como seus amigos. Possuía um smartphone mid-range, mas com uma ótima câmera. Gostou do Instagram. Lá não precisava tirar fotos das pessoas posando, ou ser um gênio do olhar. Podia simplesmente registrar o que via naquela janelinha quadrada. Podia abusar no filtro, ou sem ele, sem o photoshop. Podia olhar de um outro ângulo sem precisar saber o que é ajustar manualmente o foco, a exposição ou fingir que é um profissional da fotografia. Aquilo era só o que ele via, com uma ou outra cor que ele acha que deveria ter, assim do jeito dele.  JM era o marido de Cyn.


Capítulo três - Cyn e o trabalho
Cyn era bióloga de laboratório, como ela mesmo dizia. Era doutora, mas como Ross Geller, ninguém lembrava  disso. Cyn não buscava ter uma visão artístico-filosófico-pop-poética  sobre nada. Trabalhava visitando clientes que compravam insumos biológico-moleculares de uma empresa multinacional para a produção de sabe-se lá do que em suas próprias empresas. Pelo menos era assim que JM explicava o trabalho de Cyn para as outras pessoas.  Cyn não ligava.
Cyn dirigia. Cyn dirigia o tempo todo, de cidade em cidade, visitando seus clientes. Cyn usava óculos escuros há muito tempo. JM sempre ajudava Cyn a escolher seus belos óculos.
Capítulo quatro - JM e os óculos escuros
JM não teve óculos escuros por muito tempo. Não usava nem quando dirigia. JM dirigia muito mal. E não era só quando fazia sol. Mas quando isso acontecia - do sol estar forte - a luz atrapalhava um pouco mais. Então, JM decidiu comprar óculos de sol. Depois de várias tentativas, achou o que ele queria por um preço camarada. E o vestiu lindamente.


Capítulo cinco - Cyn, JM, o olhar e a direção
Quando saíam juntos, Cyn era quem dirigia. Cyn gostava de dirigir. JM controlava a trilha sonora e olhava a paisagem. JM sempre gostou de ver detalhes de uma rua qualquer, de uma placa de trânsito errada, ou simplesmente de olhar o céu e as nuvens. Maravilhava-se com os diferentes tons de azul do céu. O das 
ensolaradas
manhãs de domingo, diferentes dos das manhãs de sábado. O céu com muitas nuvens que pareciam ser, de tão densas e desenhadas, verdadeiras placas sólidas de isopor, como se houvesse uma barreira maciça e ao mesmo tempo frágil entre o nosso céu e o de Deus. Admirava os ocasos com os laranjas, rosas, beges e o cinzinha da poluição, enquanto poucos caminhões passavam na estrada aos fins de semana.
De óculos escuros, Cyn dirigia.    


Epílogo - Cyn, JM, o Instagram e os óculos escuros.
Na primeira vez que JM usou seus óculos escuros em um desses passeios, sentiu um desconforto. Sua vista parecia meio turva. Apesar de meio distraído, JM não era idiota e viu que eram os óculos. Tirava e colocava. Começou a perceber que as lentes puxavam as cores mais quentes para o vermelho e davam uma leve aquecida nas frias. Ficou meia viagem nessa de com óculos, sem óculos. Gostava dos diferentes verdes, dos secos aos molhados. Gostava das variações dos pretos azulados do asfalto. Amava ver os azuis, os rosas e os beges celestes sem qualquer intervenção, a não ser o da limitação da sua vista.
Decidiu tirar os óculos de vez, e disse:
- Prefiro ficar sem eles. Me sinto dentro de um Instagram perpétuo. Gosto mais do real.
Como se nada fosse, Cyn respondeu calmamente:
- É por isso que eu não gosto dessas fotos tratadas. Já vejo minha vida com filtro quase o dia inteiro, todos os dias. JM ficou em silêncio. Cyn Dirigia.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

um desenho por semana por um mundo mais bacana LXXVII

A gente vai, mas a gente volta.
No caso do um desenho por semana o retorno vem com a  Velha Bota.

O legal de viajar é o que o seu olho vê naquilo que está lá, imutável. Do turístico ao corriqueiro, do comum ao realmente característico, cada um enxerga de uma forma dependendo de pra onde a vista é atraída.

Pessoas, estilos, costumes, ambientes, construções, paisagens e até o transporte: o que mais se vê na rua vai entrando pra sempre na sua mente. No meu caso também foi entrando no bloquinho.

Esse foi lápis aquarelável























Parece clichê mas tem mesmo muito de tudo isso. Nunca vi tanto lenço no pescoço na minha vida. Os nativos andam desfilando pela rua.

Mais olhares nas próximas edições.
Ciao a tutti!


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